quarta-feira, março 29, 2006

Moderno mas não muito.

Quando os governos de Collor e Efeagá I propalavam as vantagens da privataria, um dos argumentos era de que o país precisava atingir a modernidade (essa parecia ser a palavra preferida do Collor). Chegou ao ponto do ministro das comunicações - na época de Efeagá I, seu amigo Serjão - afirmar que a Telerj era uma tragédia grega; como se ele tivesse lido e entendido algum dia uma tragédia grega. Depois de seis anos da privataria do Sistema Telebrás, encontro n'O Dia carta de leitor reclamando que a Telemar não instala Velox em seu bairro, no município de Nova Iguaçu. A resposta da Telemar é um primor: "por tratar-se de serviço digital em banda larga, o Velox não é viável em todos os lugares, e o endereço do cliente não se enquadra nas condições necessárias para instalação e bom funcionamento do Velox." Quer dizer: não é mais função da prestadora de serviço - no caso, a Telemar, prover os meios para funcionamento das redes, sejam elas destinadas a linhas telefônicas comuns ou digitais; o endereço do cliente é que deve 'se enquadrar nas condições necessárias'. Nova Iguaçu está apenas a 28 quilômetros do centro do Rio.
Em determinadas ruas de Jacarepaguá, muito mais perto do centro da cidade do que Nova Iguaçu, também há endereços que 'não se enquadram nas condições necessárias' para a instalação do Velox.
Tais situações dão a entender que a Telemar se reserva o direito de escolher a que bairros ou pessoas vai atender, quando deveria - por ser concessionária de serviço público e dona de um monopólio disfarçado - disponibilizar redes adequadas a todos os serviços que vende em todos os locais que atende.
E não adianta reclamar com a Anatel, pois a agência que deveria regular a atuação das teles está sempre contra o assinante e a favor das operadoras.

1 Comentários:

Anonymous Paulo Martini disse...

É primo.... Parece que tudo aquilo que prevíamos está se concretizando da forma mais sarcástica possível, ou seja, a subserviência do poder público ao privado (claro que nenhuma novidade nisto). Agora é tão descarada, que os mais indignos de respeito, o impõem na forma de brados. O que mais me estranha nisto tudo ( estranha em bom português, pois no espanhol é como saudade), é a imponência com que Efeagá e seus súditos bradam aos 4 ventos cobrando por transparência, honestidade, como se eles mesmos não tivessem sido protagonistas de tantas "tonterias" em seus (des)governos.
Creio que estamos diante de um dilema nas próximas eleições....manter uma loucura, retornar aos tradicionais carrascos ou partir para uma nova aventura......"Não perca o próximo capítulo"....

11:10 AM  

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